A Sony acaba de entrar oficialmente no mercado de televisores com tecnologia RGB LED, e sua primeira aposta é a Bravia 7 II. Este lançamento, ao lado do modelo topo de linha Bravia 9 II, representa um passo importante para uma tecnologia que busca seu lugar ao sol, competindo diretamente com os painéis OLED e os tradicionais displays de LED. A proposta das TVs RGB LED é clara: superar os OLEDs em brilho e gama de cores, e ser superior aos LEDs convencionais em todos os aspectos para justificar seu preço mais elevado.
Bravia 7 II: A promessa do RGB e o desafio do “crosstalk”
A grande inovação da Bravia 7 II está em seu sistema de retroiluminação. Em vez de usar um painel de LEDs brancos ou azuis, a tecnologia RGB LED utiliza diodos emissores de luz vermelhos, verdes e azuis. A Sony controla cada um desses LEDs individualmente, o que permite um ajuste muito mais fino na mistura de cores exibida na tela. O resultado é a capacidade de reproduzir cores mais vivas e intensas sem depender tanto do filtro de cores do painel LCD.
No entanto, essa abordagem traz um desafio técnico conhecido como crosstalk de cores, que é o risco de uma cor “vazar” para pixels adjacentes. Isso ocorre porque os LEDs iluminam uma zona que contém múltiplos pixels. Em testes específicos, projetados para encontrar falhas, foi possível observar esse efeito na Bravia 7 II. Um retângulo verde, por exemplo, criava um sutil halo em seu entorno. Contudo, é crucial destacar que, em condições de uso real, o problema se mostrou praticamente irrelevante.
Durante a exibição de filmes e séries, o crosstalk foi quase imperceptível. O fenômeno pôde ser notado de forma sutil nos ícones de aplicativos da Apple TV, onde o azul do app Prime Video invadiu levemente o texto branco. Mesmo em cenas complexas, como na sala do trono de Snoke em “Os Últimos Jedi”, foi preciso pausar a imagem e se aproximar a centímetros da tela para notar uma minúscula alteração no tom de pele do personagem. Para o espectador assistindo normalmente, o processamento de imagem da Sony consegue anular esse potencial problema, tornando-o um não-fator na experiência geral.
Qualidade de imagem, brilho e cores vibrantes
Utilizando o modo de imagem “Profissional”, a Bravia 7 II entrega uma qualidade de imagem espetacular com qualquer tipo de conteúdo. As cores e a escala de cinza em SDR são extremamente precisas, com exceção de alguns tons de vermelho que se mostram um pouco supersaturados. Em HDR, os tons de cinza mais claros são um pouco mais brilhantes que o ideal, mas nada que comprometa a experiência. A TV atinge um pico de brilho de 2.200 nits, o que é mais do que suficiente para a maioria das salas de estar, mesmo as bem iluminadas.
Embora não seja tão brilhante quanto modelos concorrentes como a TCL X11L, o aparelho da Sony tem reserva de brilho de sobra, já que a maior parte do conteúdo atual é masterizada em até 1.000 nits. Um dos grandes trunfos da retroiluminação RGB é a capacidade de exibir mais cores. A Bravia 7 II cobre 88% do espaço de cor BT.2020. Embora impressionante no papel, o benefício prático é limitado, pois poucas produções, como a série “Planet Earth II”, são masterizadas para aproveitar todo esse potencial. Nesses casos, as selvas do Equador ganham uma vida exuberante e os tons de azul dos beija-flores saltam da tela.
Apesar de toda a tecnologia, a Bravia 7 II ainda é uma TV com painel LCD. Ela lida bem com o efeito de blooming (auréolas de luz em torno de objetos claros sobre fundos escuros), mas não consegue competir com o controle de iluminação em nível de pixel e o contraste infinito oferecido pelas TVs OLED.

Design, conectividade e o fator preço
No quesito design, a Sony acertou em cheio com um recurso engenhoso: o suporte de mesa. Ele incorpora uma tela lenticular na parte frontal que, de forma inteligente, faz os cabos passados por trás dele desaparecerem visualmente, mantendo uma aparência quase transparente. É uma solução criativa e funcional para o gerenciamento de cabos.
Infelizmente, nem tudo são flores. A Sony cometeu um deslize ao incluir apenas duas portas HDMI 2.1 compatíveis com 4K a 120Hz, sendo uma delas a porta eARC, essencial para soundbars e receivers. Em 2026, com concorrentes oferecendo suporte em todas as quatro portas, essa limitação é uma desvantagem significativa para gamers que possuem mais de um console da nova geração ou um PC gamer. Além disso, a tela do televisor é bastante reflexiva, o que pode ser um problema em ambientes com muitas luzes.
O preço é outro ponto a ser considerado. O modelo de 65 polegadas da Bravia 7 II chega ao mercado por $2.600, um valor consideravelmente mais alto que o de concorrentes diretos, como a Hisense UR9 e a Samsung R85H. Contudo, a superioridade no processamento de imagem e a precisão de cores da Sony podem justificar o investimento extra para os consumidores mais exigentes. No fim, a Bravia 7 II é uma TV excelente que demonstra o potencial da tecnologia RGB LED. Seus pontos fracos, como a tela reflexiva e a conectividade limitada, devem ser pesados contra a belíssima imagem que ela é capaz de produzir.
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